sexta-feira, 8 de março de 2013

Policial que faz segurança de rua pode estar ligado à morte de menino da Rocinha


 A execução de Alan de Souza, de 11 anos, pode ter sido praticada por um policial suspeito de fazer segurança em ruas do bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. A hipótese é investigada por agentes da Divisão de Homicídios. Morador da Rocinha, o menino foi encontrado morto, na manhã de domingo, numa ribanceira próxima à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Seu corpo apresentava sinais de tortura e marcas de tiros na cabeça.
Nesta sexta-feira, agentes da DH realizaram buscas com o objetivo de reunir provas que levem à identificação dos suspeitos de participação no assassinato do garoto. Alan foi visto com vida pela última vez na noite de sábado passado, quando foi rendido e capturado, supostamente por um casal, na calçada do Jockey Clube. O menino estava companhado por dois adolescentes — um deles com passagens pela polícia por envolvimento em furtos —, que conseguiram escapar pulando o muro do Jockey.
Naquela noite, a segurança do clube registrou na 15ª DP (Gávea) o furto de um aparelho radiotransmissor na sala de máquinas. A direção do Jockey nega a ligação de seus seguranças com o episódio, ressaltando que todos trabalham uniformizados e que não há mulheres nesta função no estabelecimento. As investigações da DH confirmam que um homem e uma mulher loura, que estavam em um carro ainda não identificado, levaram Alan na noite de sábado.
Imagens de câmeras de segurança recolhidas no entorno da área aonde o menino foi capturado também estão sendo analisadas por agentes da DH. A suposta participação de seguranças de rua — um deles seria policial — na morte de Alan estaria relacionada ao envolvimento de adolescentes, alguns possivelmente da Rocinha, em roubos e furtos na região.
O laudo de necropsia do corpo de Alan, elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML), revela que ele levou dois tiros à queima-roupa no lado esquerdo da cabeça. Antes de ser morto, o menino ainda teve as unhas dos pés e das mãos arrancadas. Os investigadores acreditam que o garoto foi torturado para entregar os nomes de possíveis envolvidos em assaltos no Jardim Botânico.
O delegado Rivaldo Barbosa, titular da DH, afirma que as investigações estão próximas de identificar os responsáveis pela execução do menino, crime classificado por ele como “bárbaro, cruel e covarde”. O delegado, contudo, não quis comentar a suposta participação de um policial no crime, mas ressaltou que todas as hipóteses estão sendo apuradas.

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