quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Novo comandante da PM do Rio chefiou operação que prendeu inocentes em favela

REPORTAGEM DA REVISTA VEJA 

Escolhido para comandar a Polícia Militar do Rio de Janeiro e reverter a imagem desgastada que a corporação tem no momento, o coronel José Luís Castro Menezes foi, no início do ano, o responsável por uma operação policial desastrosa. A ação da PM, em 3 de março, tinha o objetivo de prender traficantes do complexo de favelas do Caju e da Barreira do Vasco, na Zona Norte, para a criação de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Um trabalho de inteligência feito de maneira atabalhoada, no entanto, resultou na identificação de pessoas inocentes e em uma série de equívocos que renderam a Menezes indiciamentos pelos crimes de abuso de autoridade e usurpação de função pública.
Menezes era então comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA). O serviço reservado da unidade – a agora famosa P2 – elaborou, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, um levantamento dos alvos da operação. Foi essa investigação atabalhoada que deu origem a todo o problema: dos dez suspeitos identificados pela equipe do 1º CPA e enviadas ao Gaeco, apenas três tinham algum indício de ligação com o tráfico das favelas do Caju. Depois da ação da polícia, moradores foram à delegacia acusar os policiais militares de invadirem residências sem mandado de busca e apreensão. Na casa de pelo menos um deles, o professor de boxe Antônio Celso Machado, policiais são acusados de arrombar e revirar móveis sem perceber que estavam no número errado da Rua da Fraternidade.

O inquérito que indiciou o coronel, assinado pelo delegado Maurício Luciano, da 17ª DP (São Cristóvão), foi encaminhado ao Ministério Público em 17 de abril. O processo foi arquivado pelo juiz da 43ª Vara Criminal em 11 de julho de 2013, a pedido do MP – ou seja, por uma das partes envolvidas na investigação que se revelou desastrosa.
Procurado pela reportagem do site de VEJA, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, respondeu o seguinte: “A participação do coronel Luís Castro nesse episódio não é direta. Foi no sentido de organizar a tentativa de uma ação conjunta, que acabou não acontecendo. No meu entendimento, a decisão do indiciamento cabe ao poder discricionário da autoridade policial.  No entanto, o que considerei para a escolha do coronel Luís Castro para o cargo de comandante-geral da Polícia Militar foi o seu trabalho desempenhado ao longo de 28 anos de serviço prestados à corporação”.
Em sua própria defesa, à época, ele afirmou desconhecer “a que se destina a missão do serviço reservado da PM, uma vez que jamais trabalhou no setor”. O responsável por todo o trabalho de campo era o braço direito de Menezes, o tenente Carlos Augusto Goulart do Amaral, que também acabou indiciado pela 17ª DP.
Ao longo de oito meses, a P2 do coronel Menezes monitorou os passos da quadrilha que controlava as bocas de fumo das favelas. Foram feitas filmagens, fotografias e consultas a dados públicos para identificar os homens que empunhavam fuzis, pistolas e desfilavam em veículos roubados. Na manhã de 3 de março, então, o “trabalho de inteligência” da PM e do Ministério Público do Estado foi colocado em prática, para o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão e outros dez de prisão.
CONTINUE LENDO AQUI

10 comentários:

  1. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a segunda maior arrecadação de impostos do Brasil, poderia pagar muito melhor os Bombeiros e Policiais Militares. Segundo o DIEESE, o SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO referente ao mês de Abril de 2013 foi estimado em R$ 2.892,47 (dois mil, oitocentos e noventa e dois reais e quarenta e sete centavos). O referido piso tem o objetivo de atender ao artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, que visa suprir as NECESSIDADES VITAIS BÁSICAS. O vencimento bruto do soldado PM/BM no RJ está R$ 815,22 abaixo do supracitado valor, é de apenas R$ 2.077,25 (dois mil e setenta e sete reais e vinte e cinco centavos).

    O Governo do Estado do Rio de Janeiro paga um SOLDO INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO vigente aos CABOS E SOLDADOS da PMERJ e do CBMERJ. Sérgio Cabral precisa conceder apenas 39,25% de reajuste salarial para a PMERJ e o CBMERJ para cumprir o ARTIGO 7º, INCISO IV, DA CARTA MAGNA. "QUEM VIVE PARA PROTEGER, MERECE RESPEITO PARA VIVER." O SD PM RG 100.000 EVERSON INCORPOROU ONTEM (dia 06 de Agosto de 2013) e ganhará muito menos do que precisa, infelizmente! Espero que ele seja honesto e honre a farda que estiver vestindo, pois ganhar mal não é motivo para cometer desvios de conduta, ou seja, se envolver em atos que possam denegrir a imagem da corporação.

    ResponderExcluir
  2. Aí é apelação demais! Que pretende a revista VEJA? Ora, ela é sempre time contra porque não faz parte do "bolo"...

    ResponderExcluir
  3. cara, o problema tá no SECRETÁRIO DE SEGURANÇA, TROCA ELE , CABRAL!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo contigo, o coronel José Luís Castro Menezes provavelmente foi a quarta opção do secretário Beltrame, pois fiquei sabendo que três coronéis recusaram o cargo de comandante-geral da PMERJ. Por que alguém recusaria o cargo máximo da corporação? Os melhores comandantes-gerais que a PMERJ teve nos últimos anos foram o coronel PM Ubiratan Ângelo e o coronel PM Erir Ribeiro da Costa Filho, verdadeiros líderes. Para comandar, é preciso ter liderança, não basta ser um chefe durão.

      No mundo atual não basta ser chefe. É preciso ser também líder. Chefes destroem equipes e fazem com que profissionais talentosos saiam da carreira que escolheram. Muitos profissionais são excelentes em relacionar-se com a equipe, mas ao serem promovidos ficam enfunados de orgulho, alguns se tornam egocêntricos. Tudo que eles fazem é o melhor, apenas a opinião deles é a correta. Não valorizam os membros da equipe mesmo quando eles se esforçam demais. Isto desmotiva e faz com que os profissionais insatisfeitos busquem novas perspectivas, porque não aguentam mais o ambiente de trabalho.

      Excluir
    2. Fala serio eri ribeiro mellhor comandante só se foi pra vc . Um coronel que voltou com as prisoes que botou varios ppmm na rua por ordem do cabral na epoca da greve que não ocorreu acorda ai companheiro ou vc tambem deve ser um fantoche.

      Excluir
    3. O melhor comandante-geral que a PMERJ teve nos últimos anos foi o coronel PM Ubiratan Ângelo, um verdadeiro líder.

      Excluir
  4. PMERJ vai formar 1.500 policiais militares para implantar a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Maré!

    Eles não investem em QUALIDADE, só querem QUANTIDADE! Qualquer um se torna PM na atual gestão...

    ResponderExcluir
  5. É VERDADE QUE CADA CORONEL QUE ASSUMI ALGUM COMANDO POR MAIS SIMPLES QUE SEJA SE REFORMA COM O DOBRO DE SEUS VENCIMENTOS , SE FOR ASSIM SÓ NOS PRAÇAS É QUE NAO TEMOS VANTAGEM NENHUMA.

    ResponderExcluir
  6. Comando Geral PMERJ: um cargo de crises

    Um entendido de questões religiosas e espirituais não teria dificuldade em afirmar que, entre os cargos notáveis da segurança pública brasileira, o de Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está entre os mais “carregados”. Parece brincadeira, mas nos últimos cinco anos, dos quatro comandantes que a PMERJ viu assumir a função, nenhum deles saiu “com naturalidade”, num processo de mudança espontânea.

    Lembremos de cada caso:

    Coronel PM Ubiratan Angelo

    Após o episódio de policiais flagrados retirando cerveja de um caminhão roubado e colocando em duas viaturas da corporação, e do movimento salarial reivindicatório protagonizado por oficiais – inclusive coronéis, os “barbonos” – o Coronel Ubiratan deixou o comando. Uma semana após sua saída, deu entrevista dizendo que “A PM é, há anos, a ‘Geni’ da história.”

    Coronel PM Gilson Pitta

    O Coronel Pitta ficou famoso por punir policiais militares blogueiros que escreviam sobre assuntos políticos e corporativos na internet. No momento de sua exoneração, dezenas de policiais militares eram acusados de execuções extrajudiciais.

    Coronel PM Mário Sérgio

    Talvez uma das mais dramáticas exonerações entre os últimos comandantes da PMERJ. Com direito a carta com pedido para sair, o Coronel Mário Sérgio assumiu o ônus político do caso da juíza Patrícia Acioly, e deixou o cargo.

    Coronel PM Erir Ribeiro

    Como sabemos, a atuação da PMERJ nos protestos e a anistia às infrações disciplinares de policiais foram o estopim para a “queda” do coronel Erir. Em 5 anos, é o quarto Comandante Geral exonerado pelo Governador Sérgio Cabral e o Secretário Beltrame.

    Parece que quem quer estabilidade não deve pensar em ser Comandante da PM do Rio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É impossível ter um comandante geral estável. Esse cargo é o último cargo de qualquer coronel pm. Normalmente os escolhidos ficam por pouco tempo mesmo, apenas para se aposentar com o máximo de privilégios. Sendo assim, mesmo bem avaliado, a transição de comando é natural dentro da PM. Quanto mais rápido o comandante passar o bastão, mais coronéis atingirão o nível máximo de privilégios dentro da corporação. Deixando o cargo, não tem mais nada para fazer, é só pedir a reserva e colocar o chinelo.

      Excluir