sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O time da Polícia Militar do Ceará tem a melhor campanha do Campeonato Brasileiro

O subtenente Fernandes é o presidente da Associação Esportiva Tiradentes desde 2006. Atualmente na reserva, é ele o responsável por administrar as contas (quase sempre negativas) da equipe de futebol cearense que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro com destaque, já que tem a melhor campanha da competição (por aproveitamento, de todas as divisões disputadas no país, com 90% dos pontos disputados) e está classificado antecipadamente para o primeiro mata-mata em busca da Série C. São 19 pontos em 21 disputados, nenhum gol sofrido e 13 marcados.
O Tigre da Polícia Militar do Ceará conseguiu a vaga na Série D 2013 depois da boa campanha no estadual (ficou na quinta colocação, superando times bem mais tradicionais, como o Ferroviário e clubes mais ricos, como o Horizonte), competição da qual participa desde o começo da década de 60, quando foi fundado. O time já conseguiu alguns acessos locais, já disputou a Taça de Prata (torneio nacional) em 1982 e até foi campeão cearense em 1992, dividindo o título com Fortaleza, Ceará e Icasa, no ano mais bizarro e confuso da história da competição estadual.
Um dos grandes problemas do Tiradentes é a falta de torcida, situação que faz a equipe ter um grande prejuízo toda vez que atua como mandante.  A maioria dos frequentadores de seus jogos é de torcedores de Fortaleza, Ceará e Ferroviário. Na partida contra o Guarany de Sobral, no fim de semana passado, todas as crianças que entraram no gramado de mãos dadas com os atletas do Tigre estavam com camisas do Ceará, por exemplo.
Contra o Potiguar, jogo disputado no estádio Presidente Vargas no dia 28 de julho, o borderô apontou despesas de R$ 9578,04 (arbitragem, quadro móvel, ambulância, por exemplo). A renda foi de R$ 343,00 graças a 58 pagantes. Prejuízo: R$ 9235,04.  Na partida mais recente, contra o Guarany de Sobral, novo prejuízo, dessa vez de mais de R$ 4500,00. E é assim todo jogo.
A folha de pagamento do futebol gira em torno de 100 mil reais. A principal fonte de renda é a colaboração, descontada da folha de pagamento, de parte dos policias militares na ativa e na reserva do Ceará. De parte, é preciso deixar claro, porque o desconto não é obrigatório e nem todos os policias fazem a opção por ajudar o time. Hoje, são cerca de 6 mil que colaboram. Dependendo da função, os valores variam de 12 (soldados e cabos) a 14 reais. O total mensal que o clube tem, portanto, é aproximadamente 70 mil reais. Destes, 20 mil são separados para o pagamento de funcionários e manutenção do clube (há uma sede social, frequentada por familiares dos policias). Os outros 50 mil vão para o futebol.
Para complementar as despesas, a diretoria conta com alguns patrocínios pontuais e ajuda de pessoas que gostam do clube. Além disso, há valores (pequenos, é verdade) que chegam em função da transmissão do Campeonato Cearense nos primeiros meses do ano e também cotas que a prefeitura e o governo do estado disponibilizam para times locais que disputam o Brasileiro. “Nosso dia a dia é de muita dificuldade, basta olhar os borderôs dos nossos jogos, mas os salários dos jogadores são pagos rigorosamente”, garante o presidente.
O gerente de futebol do Tiradentes é Josué Mendonça, ex-jogador de futebol, meio-campista dos bons, com passagem de oito anos pelo Ceará e também pelo Goiás. O técnico é Danilo Augusto, mais de 25 anos de profissão, também ex-jogador (foi volante), que assumiu a equipe durante o estadual cearense, após a saída de Argeu dos Santos.
Em campo, destaque para o goleiro Fábio Lima (sempre joga de uniforme todo preto e está emprestado pelo Fortaleza), para o meio-campista Ribinha e para o atacante Índio, principal reforço da equipe, que perdeu o meio-campo Dico para o Fortaleza, após o campeonato cearense. Quase todo o elenco tem contrato até 2014 e a média salarial fica em torno de 3 mil reais. São apenas cinco atletas emprestados. É esse grupo que vai disputar a Copa Fares Lopes a partir de setembro para tentar o título e a vaga na Copa do Brasil em 2014.
O clube não tem site na internet, mas seu presidente tem uma certeza. ”Se todos os quase 20 mil policias que estão na folha de pagamento (entre ativos e inativos) colaborassem, o Tiradentes estaria brigando na Série B do Campeonato Brasileiro”.

Um comentário:

  1. QUANTO DEVERIA GANHAR POR MÊS UM PRAÇA DA PMERJ OU DO CBMERJ:

    SUBTENENTE ----------------------------- R$ 12.876,39
    PRIMEIRO-SARGENTO ---------------- R$ 11.203,84
    SEGUNDO-SARGENTO ----------------- R$ 9.531,28
    TERCEIRO-SARGENTO ----------------- R$ 7.858,72
    CABO ------------------------------------------ R$ 6.186,16
    SOLDADO ------------------------------------ R$ 4.513,61

    OBS: OS SUPRACITADOS VALORES SÃO PAGOS AOS INTEGRANTES DA PMDF E DO CBMDF.


    PEC 300/2008

    A Segurança Pública não é prioridade no Rio de Janeiro, pois o ESTADO não investe em seus profissionais. O Policial Militar do Rio de Janeiro não tem um salário digno! É preciso PRESERVAR O PODER AQUISITIVO do PM do Rio, REAJUSTANDO significativamente os SOLDOS da Corporação. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a segunda maior arrecadação de impostos do Brasil, poderia pagar muito melhor os Bombeiros e Policiais Militares. Para onde vai o dinheiro público? "QUEM VIVE PARA PROTEGER, MERECE RESPEITO PARA VIVER." Não ao salário de fome!


    DESRESPEITO À CARTA MAGNA

    O vencimento bruto do soldado PM/BM no RJ é de apenas R$ 2.077,25 (dois mil e setenta e sete reais e vinte e cinco centavos). O valor está R$ 815,22 abaixo do SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO, que foi estimado pelo DIEESE em R$ 2.892,47 (dois mil, oitocentos e noventa e dois reais e quarenta e sete centavos) e visa suprir as NECESSIDADES VITAIS BÁSICAS previstas no artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988. Sérgio Cabral precisa conceder somente 39,25% de reajuste salarial para cumprir o referido dispositivo constitucional.

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