sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PM promoveu coronel um dia antes de ele ser preso

Mais 15 policiais do batalhão da Ilha são investigados por recebimento de mensalão do tráfico

A primeira etapa da investigação sobre o pagamento de um mensalão do tráfico de drogas a policiais do 17º BPM (Ilha do Governador) levou ontem à cadeia o coronel Dayzer Corpas, ex-comandante da unidade, e outros 15 militares. Promovido pelo comandante-geral da PM, coronel José Luís Castro, um dia antes da operação Ave de Rapina, Corpas foi flagrado numa ação que extorquiu R$ 300 mil de traficantes de Senador Camará, em março.
Na nova função de subchefe do Comando de Policiamento Especializado (CPE), que ocuparia a partir de ontem, o oficial manteria a gratificação de R$ 5 mil, além do salário de mais de R$ 30 mil brutos. E ganharia mais poder por assumir cargo estratégico, com seis unidades especializadas vinculadas ao CPE.
Investigado há seis meses pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, Corpas é acusado de ter recebido R$ 40 mil de propina para liberar os traficantes Atileno Marques da Silva, o Palermo, e Rogério Vale Mendonça, o Belo. Mas, em nota, o comando da PM nega que a mudança de função do oficial tenha sido uma promoção.

Para o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a desarticulação de mais um esquema fraudulento que envolve PMs não põe em xeque o cargo de Castro. “Estamos acompanhando os casos com a auditoria da PM e Ministério Público. Este tipo de critério valoriza as investigações”, afirmou ele, acrescentando: “Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”.
Em junho de 2013, o comando da PM concedeu ao coronel Corpas a Medalha Dom João VI. A mesma comenda foi dada ao coronel Alexandre Fontenelle — preso com outros 26 militares, por comandar esquema de propina no 14º BPM (Bangu). Enquanto a investigação estava em curso, ele foi promovido a chefe do Comando de Operações Especiais (COE).
“Os critérios do comandante da PM para promoções e nomeações de oficiais devem ser revistos com urgência”, avaliou Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, promotor da Auditoria de Justiça Militar.

Agentes acham R$ 14 mil na casa do coronel
Para prender os 16 policiais — entre eles dois oficiais — no Rio e na Baixada Fluminense, agentes se reuniram no fim da madrugada na Central do Brasil, sede da Secretaria de Segurança Pública. Logo cedo, o coronel Dayzer Corpas foi preso em casa, na Ilha do Governador. Com ele foram encontrados R$ 14 mil, além de joias, notas fiscais, material de contabilidade do grupo e computador.
O tenente Vitor Mendes Encarnação, chefe do Serviço de Inteligência do batalhão da Ilha, foi preso no edifício de classe média onde mora, em Brás de Pina. Todos responderão por extorsão mediante sequestro e roubo majorado (quando há a colaboração de duas ou mais pessoas), na Auditoria de Justiça Militar.
Na denúncia dos promotores do Gaeco, a relação dos policiais com traficantes, comandados por Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, da facção Terceiro Comando Puro (TCP), é tratada como como ‘promíscua’. Ela incluía a revenda de armamentos de criminosos apreendidos em operações.

Vídeo:  PMs cobram R$ 300 mil pela liberdade de traficantes
 

No esquema, segundo a investigação,ficou comprovado o recebimento de R$ 440 mil — R$ 300 mil para libertação de dois traficantes e R$ 140 mil pela venda de três fuzis. A partir das investigações, a Subsecretaria de Inteligência apurou o pagamento mensal de propina à alta cúpula do 17º BPM.
“O tráfico podia agir livremente, com a exploração de transporte clandestino, operada sob ‘vista larga’ dos PMs”, explicou o subsecretário de Inteligência Fábio Galvão. Guarabu é o chefe do tráfico no Complexo do Dendê. O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece R$ 10 mil por informações pelo seu paradeiro.
MP: ‘balcão de negócios’
Para o Ministério Público, a arrecadação de propina transformou o 17º BPM (Ilha) num “balcão de negócios”, que possui “fortes vínculos com o tráfico”, como diz trecho da denúncia. Além da venda do armamento ao traficante Guarabu e do recebimento de propina em troca da liberdade de criminosos, o documento não descarta a associação dos PMs ao tráfico, já que o batalhão pouco combatia esse crime na região.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que nos oito primeiros meses de 2013, por exemplo, somente 39 armas foram apreendidas pelos PMs. Em julho daquele ano, houve apenas um registro de arma apresentado. De janeiro a agosto deste ano, o número de apreensões de armas foi de 54.
O coronel Corpas, conhecido entre a tropa como ‘Cabelo de Boneca’, assumiu o batalhão em janeiro de 2013. Segundo o MP, ele entrou em contato imediatamente com o tenente Vítor Mendes ao saber da abordagem ao Ecosport cheio de traficantes. Homem de confiança do comandante, Vítor foi pessoalmente ao local e assumiu a ‘ocorrência’, determinando o que cada policial deveria fazer.
Os documentos e computadores apreendidos com os policiais serão periciados, já que na denúncia do MP consta a existência de provas documentais, imagens e áudios que demonstram que o coronel Corpas receberia ainda propina do transporte alternativo da Ilha.
Compras na loja de sua mulher
O coronel Dayzer Corpas deve responder também por improbidade administrativa. Segundo as investigações, o oficial comprava materiais de construção para o 17º BPM na loja Plaza Ferragens, que pertence à mulher e ao cunhado.
Foram apreendidas notas fiscais de compras com valores entre R$ 1,5 mil e R$ 1,8 mil. “É um fato interessante nas investigações, já que ele comprava material para obras do batalhão na loja da esposa dele e do cunhado”, afirmou o subsecretário de Inteligência Fábio Galvão.
O padrão de vida de Corpas atrapalhou a operação. A ação foi adiada porque o oficial viajou para os Estados Unidos com a família no mês passado. Não seria encontrado em casa.
Chefes do tráfico resolveram ‘castigar’ comparsa
A falsa operação dos policiais do 17º BPM para prender traficantes, em março, foi feita a partir de aviso do traficante Guarabu, chefe do pó no Dendê há mais de 10 anos. Em acordo com Marcelo Santos das Dores, o Menor P, ‘dono’ da maioria das favelas da Maré, a dupla resolveu ‘castigar’ o então aliado Gil Pinheiro dos Santos. Isso porque o bandido de Senador Camará discordou dos comparsas em uma reunião feita entre eles no Dendê horas antes.
Quando Gil retornava para Senador Camara com seu bando, Guarabu e Menor P deram a informação aos PMs, que foram até a Estrada do Galeão, mas acharam apenas a EcoSport vermelha com cinco traficantes, armas, granadas e munição. Toda a ação foi filmada por câmeras da Base Aérea do Galeão e requisitadas pelo Gaeco. Mas, o comando da unidade da Aeronáutica, entregou o material a Corpas, que abriu investigação para punir somente os praças. Isso fez com que um dos PMs delatasse todo o esquema ao MP. Os promotores vão oficiar a Aeronáutica para que seja aberta uma investigação.
Na falsa ação, os bandidos Belo e Palermo ficaram em cativeiro com os PMs até que uma advogada saísse da Zona Oeste com R$ 300 mil para livrá-los. As joias dos bandidos ficaram com os PMs, que ainda venderam três fuzis de Gil a Guarabu por R$ 140 mil.
Os demais traficantes e armas foram apresentados na 37ª DP (Ilha). Os PMs ainda deram entrevista pelo caso e foram elogiados pelo coronel Corpas.

7 comentários:

  1. PEDE PRA SAIR CMT GERAL ! ! !10 de outubro de 2014 15:27

    O ARREGO DO MORRO DO DENDÊ PARA O 17BPM SEMPRE EXISTIU, AGORA QUANTO A PROMOÇÃO OU A OCUPAÇÃO EM COMANDOS DE DESTAQUE, JÁ ERA DE SE ESPERAR, POIS O CMT GERAL É 43MIL, E SE OBSERVAREM VERÃO QUE MUITOS COMANDOS E MUITAS PROMOÇÕES AO POSTO DE CORONEL SÃO DE 43MIL. SÓ NÃO VÊ QUEM É CEGO!

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  2. triste sina! companheiros de farda sem coração malditos,quantos tombaram combatendo o crime, deixando filhos,familias entregue a sanha e descaso dessa dip. acompanhei ao longo dos meus trinta e um anos servindo esta madrasta e seus filhos malditos que zombam dos sobreviventes,principalmente se for praça pior que é praça que faz isso, e fala que foi ordem do oficial . agora tá explicado.

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    1. O praça faz isso com a aquiescência do oficial. A "limpeza" tem que ser feita por cima, pois "não se varre uma escada de baixo para cima"! Se o oficial é honesto, o praça é obrigado a ser honesto, caso contrário vai para a rua com facilidade... O LÍDER TEM QUE DAR O EXEMPLO!

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  3. na corporação tivemos um RG QUE MARCOU ÉPOCA 31 MILHÃO NA DÉCADA DE 1980 , BEM HOJE PASSADOS MAIS DE 30 ANOS OUTRO rg SE DESTACA A SABER 43 MILHÃO PERGUNTA-SE QUAL MILHAR BRILHARÁ negativamente NO FUTURO - 52 - 53 - 54 - 55 - 56 - 57 - 58 MILHÕES ESPEREMOS, QUEM VIVER VERÁ OU ENTÃO SE A POLICIA MILITAR SE DILUIR NO TEMPO E ESPAÇO AH ENTÃO BOM............

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  4. Anônimo 10 de outubro de 2014 20:08

    Tenho 21 anos na "madrasta" como você bem mencionou,durante este tempo verifiquei praças praticando atitudes ilícitas,tudo a comando de Oficiais da PMERJ ,quem não sabe, das APTRANS,MPTRANS,GAT,VTR COMANDO,PPC,a grande maioria fazendo serviços ilícitos para comandantes de batalhões e Oficiais bandidos de Cias.
    Então meu caro,provavelmente és um Oficial,não venha dizer que é só"o praça que faz isso",ele faz,mas, não sozinho,pois,infelizmente existem por trás de tudo isso uma cadeia criminosa organizada,formada por Oficiais e Praças,o pior é o Praça se sujeitar a isso,mais agora as coisas estão mudando, e os OFICIAIS BANDIDOS,os verdadeiros mentores dessa organização criminosa ,enfim estão sendo presos.não pela própria PMERJ,e sim por órgãos externos fiscalizadores da lei, como o MP,GAECO e etc...DURA LEX,sed lex...

    Ass; GLADIADOR 1º SGT PM

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  5. O praça não comanda a P/1, P/2 ou P/3 ,responsáveis pelo pessoal, setor de inteligência e planejamento do policiamento respectivamente. Estes setores são comandados por oficiais combatentes.portanto se o policiamento é implantado com direcionamento para a extorsão e demais crimes, é com ciência e planejamento de tais oficiais. Não existe arrego sem ciência e conivência do comandante da unidade e da P/2.

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  6. Á POLICIA É UM MAL NECESSÁRIO, E ESTÁ ESCRITO NEN TODO MAL SERÁ PARA SEMPRE NA TERRA DOS VIVENTES, TODO MAL UM DIA ELE ACABA COM VC OU UM DIA VC ACABA COM ELE, ACHO EU QUE JÁ ESTAR NA HORA DA SOCIEDADE REFLETIR OQUE FAZER COM ESSE MAL NECESSÁRIO, SOU PM. MAIS ESTOU CANSADO DE SER ESSE MAL, QUE SER RECONHECIDO NÃO COMO UM MAIS COMO UM PROFICIONAL DE SEGURANÇA PUBLICA E TRATADO COM RESPEITO.

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