quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ex-funcionária diz que era obrigada a dar salário para assessores do vereador Márcio Garcia


A Polícia Civil abriu inquérito para investigar um suposto esquema no qual funcionários da Câmara Municipal do Rio, lotados no gabinete do vereador Márcio Garcia (Rede), teriam sido obrigados, nos últimos três anos, a devolver parte dos seus salários para homens de confiança do político. De acordo com a delegada Renata Araújo, da Delegacia Fazendária, pelo menos quatro pessoas confirmaram, em depoimentos, a existência da devolução obrigatória da maior parte do dinheiro que era disponibilizado nos contracheques. O vereador disse que as acusações são “descabidas’’.

Uma estudante de 25 anos, que trabalhou como assessora de Garcia, entre 2013 e 2016, contou que recebia salários que variavam entre R$ 10 mil e R$ 13 mil. Porém, ficava apenas com valores entre R$ 500 e R$1.300. Garcia, major dos Bombeiros, foi eleito em 2012 e assumiu cadeira na Câmara em 2013.

— De início, fui chamada para trabalhar uma vez por semana, no fim de novembro de 2013. O combinado era que eu receberia R$ 500. Quando recebi o primeiro salário, em janeiro de 2014, fiquei surpresa. Meu contracheque tinha o valor de pouco mais de R$ 13 mil. Fiquei com R$1.300 por conta de uma gratificação de Natal, e tive que devolver o resto. Disseram que o dinheiro serviria para comprar cestas de Natal para os bombeiros exonerados em 2011. Depois, vi que eles foram incorporados novamente, e, mesmo assim, a cobrança continuou — contou a estudante, exonerada no início de 2016.

Segundo a jovem, dois bombeiros que trabalhavam com Garcia, sem serem nomeados no gabinete, a acompanhavam até agência bancária no Centro. Após fazer os saques, eles a escoltavam até o gabinete, onde o dinheiro era colocado num envelope.

A jovem disse que quem se negasse a devolver o dinheiro era exonerado. Ela alegou que, após cinco meses, passou a trabalhar duas vezes por semana, e que seu salário subiu, então, para R$ 1.200.

Márcio Garcia afirma: é motivação política

O vereador Márcio Garcia negou a devolução de dinheiro por parte dos funcionários. Ele disse que as acusações podem ter uma motivação política.

— As acusações são completamente descabidas. Não tenho conhecimento do que os funcionários fazem com seus salários. É de se estranhar uma acusação destas, às vésperas de uma eleição. Uma das pessoas que me acusa foi homenageada por um outro partido — disse Garcia.

O parlamentar acrescentou que, em 2013, havia uma conta para que qualquer pessoa pudesse fazer doação para os bombeiros exonerados, após um movimento grevista deflagrado em 2011.

— O blog S.O.S bombeiros tinha uma conta disponibilizada para doações voluntárias. Ninguém precisava ser do gabinete para fazer isso. Conseguimos, com o dinheiro arrecadado, pagar os salários de quatro mil excluídos — lembrou o parlamentar.

Márcio Garcia integrou o movimento grevista e foi preso pela corporação em 2011.

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